Mais valia…
Vamos falar do meu ceticismo.
(É, blog é uma bosta mesmo, nego acha que a própria vida é interssante o suficiente para ficar contando em público. Ou que suas dúvidas existenciais são dignas de audiência. E tem um bando de gente com a curiosidade – leia-se voyeurismo agigantado e a falta de bom senso de ficar lendo. E, às vezes, comentando.)
Então, como eu dizia, minha amargura. Amargura, que foi como foi classificado meu ceticismo. Um barreira contra a fé, basicamente.
E por que é mesmo que eu precisava de defesa contra a fé? Porque eu precisava matar meus sonhos. E por que raios eu precisava matar meus sonhos? Porque eu tinha de negar minha natureza.
E assim vai. Deu pra entender, já.
Hm. Sei… Empapuçado até umas hora.
É como a história que eu ouvi do carinha que, em criança, queria ser índio quando crescesse. A mãe, com certeza condescendente, achando bonitinho, desencorajou o moleque, "Você não pode ser índio quando crescer." E assim começa. Por que infernos o coitado não pode ser índio quando crescer? Pode, porra. Deixa o cara. Sei lá o que esse cara é hoje em dia. De repente, virou publicitário – puta bosta!
Seria mais feliz sendo índio. De longe.
Mas pior mesmo é quando você se convence que não pode ser lixeiro quando crescer. Porque, afinal, lixeiro não é profissão. Depois você começa a se convencer que ser lixeiro nem é assim tão legal. E vira, sei lá, consultor. Triste.
Aí você cresce um pouco mais, estudando pra caralho para sair do buraco (alguém te disse que você só poderia alcançar seus sonhos se tivesse dinheiro, e que para conseguir dinheiro você tinha de estudar). Só que quanto mais você estuda, quanto mais você se dedica a adquirir conhecimento "útil", mais percebe que não vai mesmo poder ser saxofonista no metrô. E se forma para ser advogado! Aaaargh!
E continua lendo, que é um jeito de continuar estudando (você gostava de estudar, de verdade). E quanto mais lê, mais percebe que realmente teria sido mais feliz se tivesse sido auxiliar de cozinha em restaurante; ou saxofonista no metrô. Ou lixeiro.
Ou índio.
Então você precisa negar sua natureza. Matando seus sonhos. Abandonando a fé, em qualquer coisa, em qualquer um. Negar tudo é tão eficiente quanto escolher um dogma qualquer.
E fica amargo.
A simplicidade da solução é elegante, e começa a funcionar tão bem que você já se convence que é assim, que essa é sua natureza. Você é uma pessoa de "pés-no-chão" ou outra babaquice do gênero. Começa a ter ecrtezas, começa a saber. É, começa a dizer "Eu sei." Brrr. E vira a contradição encarnada, clamando não acreditar em nada e acreditando em suas próprias mentiras.
E não é só. O ar "cool" de quem sabe tanto que não acredita em nada lhe rende alguns olhares de admiração, e você bebe essa admiração que é maldirecionada, mas que é alimento para o seu ego.
E no dia que acorda, que percebe a bobagem disso tudo, fica meio mal. Depois passa a buscar outras coisas, coisas para posts posteriores (isso foi horrível, eu sei). E inventa mantras, dois dos quais obrigatórios ao acordar. E vão os dois mantras, para quem não se lembra, ou para quem não me conheceu em outras vidas:
– Não se leve tão a sério. Não se leve tão a sério. Não se leve tão a sério.
E o outro, também importante:
– C'est bonne, la vie. C'est bonne, la vie. C'est bonne, la vie.
(É, blog é uma bosta mesmo, nego acha que a própria vida é interssante o suficiente para ficar contando em público. Ou que suas dúvidas existenciais são dignas de audiência. E tem um bando de gente com a curiosidade – leia-se voyeurismo agigantado e a falta de bom senso de ficar lendo. E, às vezes, comentando.)
Então, como eu dizia, minha amargura. Amargura, que foi como foi classificado meu ceticismo. Um barreira contra a fé, basicamente.
E por que é mesmo que eu precisava de defesa contra a fé? Porque eu precisava matar meus sonhos. E por que raios eu precisava matar meus sonhos? Porque eu tinha de negar minha natureza.
E assim vai. Deu pra entender, já.
Hm. Sei… Empapuçado até umas hora.
É como a história que eu ouvi do carinha que, em criança, queria ser índio quando crescesse. A mãe, com certeza condescendente, achando bonitinho, desencorajou o moleque, "Você não pode ser índio quando crescer." E assim começa. Por que infernos o coitado não pode ser índio quando crescer? Pode, porra. Deixa o cara. Sei lá o que esse cara é hoje em dia. De repente, virou publicitário – puta bosta!
Seria mais feliz sendo índio. De longe.
Mas pior mesmo é quando você se convence que não pode ser lixeiro quando crescer. Porque, afinal, lixeiro não é profissão. Depois você começa a se convencer que ser lixeiro nem é assim tão legal. E vira, sei lá, consultor. Triste.
Aí você cresce um pouco mais, estudando pra caralho para sair do buraco (alguém te disse que você só poderia alcançar seus sonhos se tivesse dinheiro, e que para conseguir dinheiro você tinha de estudar). Só que quanto mais você estuda, quanto mais você se dedica a adquirir conhecimento "útil", mais percebe que não vai mesmo poder ser saxofonista no metrô. E se forma para ser advogado! Aaaargh!
E continua lendo, que é um jeito de continuar estudando (você gostava de estudar, de verdade). E quanto mais lê, mais percebe que realmente teria sido mais feliz se tivesse sido auxiliar de cozinha em restaurante; ou saxofonista no metrô. Ou lixeiro.
Ou índio.
Então você precisa negar sua natureza. Matando seus sonhos. Abandonando a fé, em qualquer coisa, em qualquer um. Negar tudo é tão eficiente quanto escolher um dogma qualquer.
E fica amargo.
A simplicidade da solução é elegante, e começa a funcionar tão bem que você já se convence que é assim, que essa é sua natureza. Você é uma pessoa de "pés-no-chão" ou outra babaquice do gênero. Começa a ter ecrtezas, começa a saber. É, começa a dizer "Eu sei." Brrr. E vira a contradição encarnada, clamando não acreditar em nada e acreditando em suas próprias mentiras.
E não é só. O ar "cool" de quem sabe tanto que não acredita em nada lhe rende alguns olhares de admiração, e você bebe essa admiração que é maldirecionada, mas que é alimento para o seu ego.
E no dia que acorda, que percebe a bobagem disso tudo, fica meio mal. Depois passa a buscar outras coisas, coisas para posts posteriores (isso foi horrível, eu sei). E inventa mantras, dois dos quais obrigatórios ao acordar. E vão os dois mantras, para quem não se lembra, ou para quem não me conheceu em outras vidas:
– Não se leve tão a sério. Não se leve tão a sério. Não se leve tão a sério.
E o outro, também importante:
– C'est bonne, la vie. C'est bonne, la vie. C'est bonne, la vie.

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