Ela abria avidamente aquele pote de geléia de damasco.
Ele pensava que era uma das poucas coisas em comum entre as mulheres que teve: todas elas amavam frutas secas.
O pote era de geléia, não de frutas, está bem, mas todas elas gostavam de damascos, ameixas, uvas passas. Uvas mortas. Múmias de uvas, como dizia uma delas.
Ela metia a colher com um brilho nos olhos. Ele reconhecia o brilho. Ele se perdia naquela fome toda. Todas as suas mulheres eram famintas. Lembrou-se de anotar essas coisas para conversar com o analista: existe um padrão reconhecível nas mulheres da sua vida?
Lembrou-se instantaneamente que não iria anotar porcaria nenhuma. E que o analista ia perguntar alguma coisa desimportante. E ele nunca iria lembrar das coisas que queria conversar.
– O que cê tá olhando?
– Você.
Despediu-se e saiu para o trabalho. Pensou em desenhos animados e riu-se: se ele fosse um homem das cavernas, armaria um laço com damascos no centro. Para pegar mulheres que lhe agradassem.
Ele pensava que era uma das poucas coisas em comum entre as mulheres que teve: todas elas amavam frutas secas.
O pote era de geléia, não de frutas, está bem, mas todas elas gostavam de damascos, ameixas, uvas passas. Uvas mortas. Múmias de uvas, como dizia uma delas.
Ela metia a colher com um brilho nos olhos. Ele reconhecia o brilho. Ele se perdia naquela fome toda. Todas as suas mulheres eram famintas. Lembrou-se de anotar essas coisas para conversar com o analista: existe um padrão reconhecível nas mulheres da sua vida?
Lembrou-se instantaneamente que não iria anotar porcaria nenhuma. E que o analista ia perguntar alguma coisa desimportante. E ele nunca iria lembrar das coisas que queria conversar.
– O que cê tá olhando?
– Você.
Despediu-se e saiu para o trabalho. Pensou em desenhos animados e riu-se: se ele fosse um homem das cavernas, armaria um laço com damascos no centro. Para pegar mulheres que lhe agradassem.

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