20030124

Deixei você hoje de manhã, você ia viajar.
Fiquei pensando em como — já no elevador—, menos de cinco minutos depois, a saudade já batia, ainda tímida, ainda sonolenta.
E como eu queria dizer o quanto eu gosto de você sem usar letras de música, sem usar poesias. E como é difícil dizer alguma coisa parecida com o que sinto sem dizer que um homem pode ir ao fundo do fundo do fundo, se for por você.
E é óbvio que eu não tenho talento nem tempo, agora, para bolar alguma coisa que chegue aos pés do que escreveram esses caras, mas posso tentar fazer você entender.
É que eu racionalizo por uns segundos para depois me render. E são tantos os perigos ao namorar você… Conversar e beijar: você me põe cambaio, me deixa tonto me fazendo acreditar que sou eu quem manda. Mas em beijos e conversas você me leva para onde quer.
E eu, mais que satisfeito, deixo-me levar.
E eu finjo que não sei que você tem a mim, e que faz sempre o que quer.
E quando você sorri com os olhos, eles são capazes de fazer a gente mudar de idéia, pensar a opinião, desacreditar na dor e mudar de religião.
E quando você é língua e é unhas e é pele, o mundo muda e ninguém mais pensa em religiões e cosmogonias e sequer me lembro que um fractal não tem dimensão e de quanto isso é importante para minha vida.
Aí resta dizer que na bagunça do teu coração meu sangue errou de veia e se perdeu.
E danem-se os astros, os autos os signos, os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos, profetas, sinopses, espelhos, conselhos; se dane o evangelho e todos os orixás. E danem-se suas certezas e as minhas também, e tudo aquilo que a gente chama de verdade ou de certo ou de errado ou de mentira ou de "talvez". Eu amo você, é o tanto que posso dizer. E nós vamos embora.

Ah, mandei fazer um cartaz:
Serás o meu amor
Serás a minha paz

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