20030109

Saiba que, sim, vai bem. Vai bem, bem o sabes, tão bem vai, até, que te assustas.
E pego o ônibus em Pinheiros a pensar o motivo que te faz temer tamanha possibilidade de, sim, estar tudo bem, estar tudo bom e, vê, melhorando.
Hesito em usar a palavra como se à menção do estado este voltasse a ser apenas ilusão. Mas essa *** toda te incomoda porque põe por terra certezas, saberes, valores, cosmogonias. Tento entender, debalde, já agora no Itaim, que era eu o sabotador e já não mais. Que o tal estado assusta quando deveria apaziguar, que mudei tanto, improvavelmente, e tens mais dificuldade que eu em negar-se e reconstruir-se.
Não me decepcionei, perceba, só vejo outras cores, vejo outras dores, vejo luzes e nuances. E vejo.
E sinto, sinto-me bem. Mas te incomodas e te sentes bem; por te sentires bem, não relaxas.
O ônibus abranda, é a Funchal. Cheguei à Vila Olímpia, mas não a uma conclusão.

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