20060730

Solitudine

Sonhei que caía um dente meu.
Acordei porque você se ajeitava, docemente, no meu peito, fazendo aquela boca que você faz quando pensa. Era sonho.
Sonhei que conversava entusiasmado com uma amiga que não vejo há anos. Ela me dizia que a vida dela tinha se tornado um romance do Dostoievski, adaptado pelo Kurosawa. Eu a chamei de metida. Ela me chamou de metido porque eu entendi a referência. Eu disse que ela estava copiando a minha vida.
Sonhei com Paris de novo, com aquela pracinha na île de la Cité. Um frio parecido, de tão úmido, uma paz já tão longínqua.
Acordei tarde, quase uma da tarde.
Escolhi um domingo de não-viver. Andei por aí no frio.
Em geral, eu não me lembro dos meus sonhos.

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