Clockwork

Padrões.
Pense na sua vida como um fractal. Se você consegue, parabéns: sua vida é chata pracaralho. Um padrão é visível não importa o quanto você se afaste ou se aproxime e, pasme, é sempre o mesmo. Imutável, não-dimensional, repetitivo, único, previsível. Você deve ser muito feliz. E bege.
Previsibilidade dever ser uma dádiva. Deve ser algo como incapacidade de apreender novos conceitos. Deve ser como preservar tradições ou não errar. Ou ter certeza.
Espezinho pois, por não ser agraciado. Foi-me proibida ao nascer. Fui marcado com o sigilo (diacronizamos, pois não?) do caos. Eu não sei, simplesmente me é negado saber se amanhã será como hoje ou se será o oposto. Ou qualquer variação intermediária. E minhas reações acompanham esse mote de falta de consistência. Porque eu mudo, mais que o clima em São Paulo.
E nada faz muito sentido, porque não parece possível um afastamento suficiente para enxergar a porra do padrão, que deve haver. Talvez eu deva olhar de perto. Talvez usar twistors, pensar em termos de spin networks e usar de geometria não-comutativa. Afinal, até onde percebo, nem sempre A vezes B é igual a B vezes A.
Talvez eu deva aprender a boiar. E me cobrar menos. E parar de empurrar meus limites sempre que eu acho que não vai dar.
E ela me chama para almoçar, eu despisto. Ela me chama para jantar, eu faço o lacônico. Ela me liga sem propósito, eu sou simpático. Ela invade meus sonhos e eu desabo.
E hoje já é amanhã.

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