Sermão

Não era eu, não era você. Era alguém com uma visão impossivelmente clara e cruel. Era o mais próximo que uma pessoa pode chegar da imparcialidade. Era um monolito de proporções perfeitas processando informações em nível estrutural, transformando impressões, emoções e linguagem em dados. Dados, percebe?
E eu tinha que ficar lá, ouvindo.
E eu ouvi, até o fim.
E fiquei triste. Triste comigo, triste com você.
Excessivement triste.
Foi pesado.
Depois, eu quis mandar flores e comprar a entrada do teatro. Eu quis escrver o e-mail, cozinhar para você. Arranjar os ingressos do show. Aceitar seus convites e roubar um beijo.
Não mais, né?
E, ainda assim, você não me convence. Eu tive de fazer todo o trabalho sujo.
Foi bom.

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