20061007

Besta

Besta
Leva a vida com cuidado de não se quebrar de vez.
Faz dívidas, procrastina.
Tem dúvidas.
Mete os pés pelas mãos, acha que não pode ficar pior, quebra a cara.
Novamente.
Um, dois, respira, olha para cima, acende outro cigarro, expira.
Faz bolhas de sabão.
Liga para a amiga, conversa com outra pela internet, almoça com mais outra.
E mais outra.
Janta com outra.
Dorme com aqueloutra.
Fala mais do que devia, cala quando não queria, adormece.
Acorda, escreve, fotografa, toca sax, joga handebol, cria, tenta de novo, toca clarinete, é enganado.
Espera, é iludido, desespera, se ilude, tenta ainda mais uma vez.
Trabalha, trabalha, trabalha.
Anda. Toma chuva. Pega ônibus. Paga o táxi.
Ama.
Perde o compromisso, perde a calma, perde a compostura.
Beija na boca.
Trepa.
Se derrete com olhares, faz cara de mau, faz mocinhas darem risada e cozinha.
Dança tango. E se diverte.
Esquece, erra de novo. Olha para trás, não enxerga um palmo à frente do nariz, desaprende a escrever, reluta. Briga. Divorcia.
Apaixona.
Se perde.
Se encanta, fica surpreso, beija na boca, mais uma vez, fica ainda mais confuso.
Encosta a cabeça no travesseiro e pensa na moça que o deixou nesse estadinho.
Até amanhã.

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