A.

A. corre atrás de toda a forma diferente de fortuna que se lhe apresenta pela frente. Trevos, luzes, pedaços de bons-conselhos. A. quer sempre que sejam melhores os dias. Briga para que sejam melhores os humores e as caras que desfilam desagravos.
A. acreditava.
A. perdeu toda a esperança naquele fim-de-mundo-de-ano-de-vida, destino cunhado em ourivesaria, detalhes impossíveis, minúcias subatômicas de desdém.
Azuis lhe percorriam entranhas quando A. deu-se conta da queda que, para além de iminente, já se dava pela metade percorrida de avanço inequívoco. Caía com a graça de dez vinténs. E já não se importava.
Nove vidas, doze lapsos. Um parsec. E todo o tempo do mundo.
Eu olho A. e a vejo brincar girassóis de porta em porta, caçando libélulas e destronando certezas. E ela sempre será A. Aquela que nunca de mim guardou ressalva; aquela que não me conheceu.
Salve, A.
Godspeed.

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