Tempus fugit

Eu quase acredito nessa história de boiar. Se eu não achasse que estamos perdendo tempo demais.
Eu quase acredito na promessa sempiterna de que tudo vai dar certo, se as merdas não fossem acontencendo com as pessoas que me são caras em base constante e com aparência de fonte inesgotável.
A forma, ou fórmula, tão simples e tão elegante da simplicidade na busca da situação tranqüila parece não mais funcionar. A conclusão a que chegamos, em longas conversas regadas a todo tipo de beberagens, é a mesma, não importa o estado das bexigas: algumas pessoas não querem ser felizes. Lutam mesmo contra.
E vamos, de mesa em mesa, trocando dias por noites e CPFs e cores-de-olhos, e voltando ao assunto que me deixa abobalhado. Porque não me parece possível que essas caríssimas tenham um lado tão absurdamente feio (tanto quanto escondido) à espreita de incautos mocinhos. Ou mocinhas.
Não. Qualquer uma delas seria garantia de décadas de vida compartilhada, de vidas de fruição e, no entanto, nenhuma delas é aquela. Aquela que me serviria. E é quando, juntos, nos damos conta de que nós também estamos ali, com a possibilidade à mão e, de comum acordo, a rejeitamos; que percebemos que sim, fugimos também, medrosos, da felicidade folhetinesca.
Por outros motivos, claro, ou quiçá os mesmos. Não nos é dado saber.
Um preconceitozinho aqui. Uma incompreensão ali, uma palavra de deixar-estar, um muxoxo, um olhar inconveniente. Um costume à guisa de amizade, um conforto, um medo de estragar tudo.
Volto a dizer: acordadas as partes, celebrando a impossibilidade que não deixa mágoas ou issues. Parece, ao fim do dia, da noite, da cerveja, da semana, uma coisa muito bem-resolvida.
Mas não ajuda o fato dessa grosa de infelizes que mereciam mais. E que não se-lhes dão mais.
E eu não posso dar-lhes mais.
Ao menos, não agora.
Relativizar é o que me sobra. Aprender a olhar o mundo e não o mapa. Boiar.

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