Confuso

Para ser bem sincero, esse exílio auto-imposto tem sido de grande ajuda. E tem sido uma merda federal.
Dá aquela sensação de ser um Lester Burnham, sabe? Quando tentou sair da linha, bam! O ano do sejogation, eu bem me lembrava. Não me furtei. Tomei os porres, fiz a tatuagem, viajei, tomei doce, putanhei, apaixonei, arrisquei, endividei.
E, no entanto, engoli sapos. O problema é que eu sou bulímico: vomito os batráquios, não consgio ficar quieto. E sempre houve meu timing completamente errado. Ou seja, engoli, não gostei, regurgitei, não gostaram. Foi mesmo um portento a minha capacidade de desagradar a gregos e baianos.
E os sinais estavam todos lá. Alguns em neon. E eu fiz questão de ignorar.
E as coisas que não saem da cabeça: sua crueldade; a curvinha do teu sorriso; a vontade de fumar; a impossibilidade de resolução; o fim das desculpas.
Agora fico aqui, fugindo dos amigos — ermitão de merda —, ouvindo The No-Musicians Jazz Band, pensando na vida e chegando à conclusão que eu não estou nem aí para esse negócio de Copa do Mundo, quero que o Panamericano se foda e que essa felicidade de firma toda acabe em barranco, junto com toda a manifestação-musical-de-raiz. Eu não faço parte, gente. Oê.
Chocolate meio-amargo, água, muita água, proteína, algum carboidrato e muita fibra. Nada de sal.
Três remédios, todo dia, quatro doses. Diuréticos e controle de pressão. E Clube da Luta, uma vez mais.
E o primeiro Mishima.
E vou perdendo a capacidade de escrever. Essa história de sofrimento criativo só funciona quando você tem controle da situação. Ou acha que tem o controle. Sofrimento para valer não resulta em textos bons ou manifestações artísticas quaisquer. Sofrimento de verdade deixa olheiras, emagrece, e o nariz escorre porque você não se importa mais com sua aparência.
Banho? Why bother?
2007.
Operação em oito de janeiro. Três dias de UTI. Uma semana de quarto. Um mês em casa.
Se eu tiver sorte, na minha casa.
O que é mesmo que vale a pena?

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