G.

Eu saía de um namoro de quatro anos, que acabou sem meu consentimento e me deixou um ano inteiro num "estadinho". Sim, é padrão. G. aconteceu na minha frente meio sem querer, por causa de interesses comuns e pontos-de-vista diversos e sotaques dissonantes.
E, de novo, eu era o terceiro, a terceira margem, a alternativa oportuna ainda que estranha, a rota de fuga.
G. foi minha introdução aos cabelos pintados, às expressões em alemão, à vida em apartamento compartilhado, às viagens-roubadas, aos papos-cabeça com gente chata. G. foi minha escola de sexo de casado — e de como não deixar a rotina fazer casa nesse particular.
E era mesmo uma coisa particular.
G. me ensinou lealdade e traição, me fez perceber o quão longe eu estava da imagem que eu tinha de mim mesmo. Sim, G. destruiu minha empáfia com seus constantes ego-trimmings. Ao mesmo tempo que me deixava brilhar.
Ainda que nossa amizade tenha sido abalada pelo fim do relacionamento, pelo último papo no último café e minha decepção com a vida que ela recém comprara, G. pode sempre ligar, visto que G. é meu Grelo Falante original.
Só poderia acreditar um pouco menos na vida que comprou.

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