Countdown

Deixar aos doutos a explicação disso tudo, que já não queremos mais saber. E torcer para que os sensíveis tenham idéia dos porquês, considerando que não mais percebemos as coisas com o miocárdio.
Afinal, tunamos o coração em cinco dias — contagem regressiva não para a cirurgia, que esta nos parece sem problemas, mas para o tédio que sobrevirá, certo como a cicatriz, e perdurará meses. Um mês de casa, dois sem sexo, seis sem álcool, sabe-se lá quantos sem natação ou corrida ou yoga — porque o handebol mesmo já me foi peremptoriamente proibido por todos os séculos vindouros. O handebol, o cigarro e as tatuagens. Seculorum, amen.
E eu só consigo pensar nisso: nas proibições e na dieta hipossódica e nos remédios que serão companhia eterna (lembrar de levar na viagem, colocar na mochila, porque quem sabe onde o amarelo vai passar a noite hoje). E pensar se o "ispessalista" vai acertar bem o meio da tattoo, na parte incólume, para não estragar o trabalho do Marcão, que, convenhamos, ficou bonito, não é porque sou eu, não.
Countdown.
Dia oito de janeiro.
Ao menos eu tenho um sofá.

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