O lobo da estepe
Tome Hesse.Ah! lamentavelmente o olhar ia mais fundo ainda, ia além das simples imperfeições e desesperanças de nosso tempo, de nossa espiritualidade, de nossa cultura. Chegava ao coração de toda a humanidade; expressava, num único segundo, toda a dúvida de um pensador, talvez a de um conhecedor da dignidade e sobretudo do sentido da vida humana. Esse olhar dizia: "Veja os macacos que somos! Veja o que é o homem!" E toda a celebridade, toda a inteligência, toda a conquista do espírito, todo o afã para alcançar a sublimidade, a grandeza e o duradouro do humano se esboroavam de repente e não passavam de frívolas momices!
Não sei se por causa de Siddharta, mas eu já conhecia a voz do Hesse. Então esse Lobo foi meio que uma conversa longa com um velho amigo. Ou foi a impressão que me deu. Ou foram os remédios que eu estava tomando no Incor. Ou foi o coração combalido. Enfim. Gostei tanto que acho que vou comprar o original e me forçar a aprender alemão.
O que me abriria um mundo novo. E há Berlim em 2007, reza a lenda. O telefonema de hoje dirá bastante sobre isso.

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