Tandem

Minha cabeça, e a sua não é diferente, fica assim, queimando, incessantemente fazendo conexões, das mais absurdas às mais óbvias, buscando um padrão que faça algum sentido.
Meus medos, iguais aos seus, são insidiosos e cheios de recursos. Quando menos se espera, lá estão, tentando atrapalhar decisões, conclusões, mudanças; trazendo consigo a prostração que tem por bônus o reconfortante tédio das certezas compradas à prazo.
É por isso que não conseguimos deixar de nos falar. Por causa dessa inquietude que acha eco na incongruência do outro.
E quando você se enfurece, eu pisco, para depois ver que não havia motivo, mas não quero achar que o motivo era mesmo eu — isso seria alimentar confusões, que já estão bem fornidas, as is. Melhor seria dizer você está louca. Mas nem mesmo isso.
Mesmo que isso se pareça com a verdade.
Mesmo que não tenha sido eu a pensar nessa hipótese, originalmente.
Não.
Melhor mesmo é esse silêncio de mentira que a gente consegue com muito esforço. Eu só continua achando esforço debalde. Melhor seria trepar.
Mas só depois do carnaval.

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