Óbvio

Você precisa entender que eu sou mais básico. Mais simples. Mais mundano e mais trivial.
Eu sou a solução elegante.
Eu nasci sob a lâmina de Occam. E sob a espada de Dâmocles, mas isso não vem ao caso.
Eu sou o cara que acredita que se uma coisa não pode ser explicada a uma pessoa de seis anos, muito provavelmente ela não valha a pena ser aprendida.
Tipo elétrons que fazem pop! de um lado e não têm que passar por todo o percurso para aparecer, pop!, do outro. Pop! para você também.
Eu faço milhões de rodeios para falar o óbvio e entrego o complexíssimo em duas linhas porque eu entendo o valor do espetáculo. Você nunca viu igual.
Eu nunca disse que era fácil. Embora você não tenha feito muito esforço.
Se eu me defino na alteridade, se eu moldo meu mundo com meu discurso, eu apenas sigo as leis entrópicas todas tudus de probabilidades e falta geral de sentido.
Eu sou o gato; e estou vivo e morto ao mesmo tempo.
É simples. É fácil. Mas tem de ter colhões. Porque reconhecer essa simplicidade toda de quase fazer fé é jogar fora todas as desculpas acumuladas em vidas e gerações e açoites e inquisições e confessionários e sacrifícios humanos.
Eu não tenho mais desculpas. Nem paciência.

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