20070225

Genérico

genérico
Pense em mim como uma alternativa. Afinal de contas, eu nunca fui a primeira escolha. Nem nos tempos do futebol de rua (gol caixote e saída bangu).
Pense em mim como uma espécie de prêmio de consolação. Aquela coisa que irrita mais ganhar do que não ganhar nada porque funciona como um lembrete de que, afinal, você falhou. E sequer dá para vender.
Pense em mim como uma marca diferente, à qual você não está acostumada, pela qual tem um certo desprezo mas, enfim, é o que há ali e todos os supermercados estão fechados a essa hora.
Pense em mim como um prato que sua mãe fez, na casa da fazenda. Você não tem alternativa. Queria outra coisa mas é o que tem para hoje.
Pense em mim como aquele quebra-galho, o remendo, o camiseta que sua amiga te emprestou para dormir — só hoje — na casa dela, já que você não trouxe roupa. Pense em mim como o elástico para prender qualquer coisa, o improviso, a solução intermediária, ainda que criativa.
Pense em mim como algo que nunca esteve nos seus planos.
Pense em mim como o azarão; pense em mim como o substituto; pense em mim como o reserva, a redundância, o backup, a reprodução, o similar nacional.
Agora convença-se de que você não tem de se contentar com tão pouco.

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