20070222

J.

J.
Eu já não era mais um adolescente. Nem um jovenzinho ingênuo. Mas J. me fazia parecer um menino. J. tinha a capacidade de me surpreender a cada encontro, fortuito, impreciso, assustador.
E era bem mais velha.
Houve uma vez que J. me machucou. De verdade. E eu nunca soube o que fazer direito com aquilo. Na hora, a gente simplesmente parou e se olhou. E ela tinha um olhar de condescendência que eu não queria nunca mais ver na vida. Mas naquela hora, não havia como reagir.
J. me ensinou a baixar a bola. J. me ensinou um jogo de poder com o qual eu teria de lidar o resto da vida.
J. me ensinou dor.
J. sumiu. Eu nunca me dei ao trabalho de procurá-la ou de saber o que ela fez depois que paramos de nos ver.
Hoje eu saberia como reagir a J. Mas hoje isso não faria mais sentido.

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