20070320

Crudelíssimo

Crudelíssimo
Eu estou fugindo, é claro. Recusei seus convites, sim. E você sabe que tenho um bom motivo para isso.
Eu não fui à despedida do seu amigo. Eu não fui à degustação. Eu não saí para o choppe, eu não quis ir ao evento, eu recusei o café.
E você não quis vir aqui. Teme pela sua integridade, teme fazer algo que me machuque. Sejamos sérios: eu já sou crescidinho. E você não passa de uma menina. De umetroesetentaecinco, mas menina.
E, sejamos sérios às últimas conseqüências: você gosta.
E agora essa: o melindre por eu falar das mocinhas que têm passado por aqui. Não era você que não estava nem aí? Não sou eu que não desperto nenhum sentimento, nenhum tesão, nada?
Seu jogo não tem mais graça. Cansou. Caducou. Talvez por ter se tornado repetido e previsível. São, percebo agora, os mesmos sorrisos, os mesmos olhares, os mesmos suspiros, os mesmos muxoxos. São os mesmos gambitos e eu fiquei puto na segunda vez que tentaram o cheque do pastor comigo. Imagine como me sinto agora.
Você tem sorte por eu não ter vergonha na cara.
E, sim, tenho prazer em ver a confusão nos seus olhos e sua boca se entreabrindo, lânguida, e sua respiração mudar e você enrubescer e perder o rebolado.
E tudo que eu te disse é verdade.
E essa é minha pequena crueldade.

1 Comments:

Morocha said...

como diz minha sabia irma depois de um discurso desses: PAU!
:*

3/25/2007 03:22:00 PM  

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