Guardo

E se elas têm teu cheiro, e se elas têm teus olhos, eu fico quase triste e tiro a música do Costello para tocar na sacada, em homenagem ao que elas não têm.
E, quando me dou conta, misturo Só tinha de ser com você e It had to be you, porque é inegável, e eu sou um fedelho em comparação a essa coisa que não me deixa mais de sete horas.
Sete horas. Estamos evoluíndo.
Mas elas, eu dizia, não têm a curvinha, e podem até ter os furinhos nas costas, a bunda quase perfeita, os ombros apetitosos. Mas nunca terão essa configuração estelar de pintinhas que pedem para ser mapeadas.
Em minúcias.
Elas podem ter seus olhos de azul-impossível, azul de queimar determinações, mas lhes faltará sempre o inconformismo cunhado em educação confusa e esquizofrênica de pequenos-burgueses. A inquietação que se descobre inteligente demais para a própria saúde e posição social.
Curiosidade. Estranhamento. Dor.
A complexidade dos detalhes que te fazem Valquíria e que me fazem Loki nos une, e me parece questão de birra essa distância. Birra ou preconceito.
Há tanto que guardei… E muito me admiro serem inéditas minhas pequenas delicadezas e grandes safadezas de louvar a mocinha que tenha a mim por escolha.
E você merece tanto, e pode ter tanto mais que elas.
Desperdício, tão somente.
Afinal, elas podem ter o mundo, mas não podem ter a mim.

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