20070307

Sonho

Sonho
Era assim: nem feia nem de parar o trânsito. Na verdade ela era bem bonita, admitamos. A quem eu quero enganar? Superego? Não faz sentido.
Ela conversava de tudo. E me ensinava coisas. E me dizia barbaridades. E, quando eu estava errado, ela não tinha muitos dedos: bite the curb!, dizia ela, e eu sabia que tinha dito uma besteira-monstro.
Ela cantava como Katharine Whalen. E eu derretia, toda vez. E tinha de ensaiar mais a música. E decidir entre o sax e o clarinete. E ela me olhava apaixonada cada vez que eu mudava o arranjo.
Ela tinha um jeito de se ajeitar no meu peito e arrulhar. Ou algo assim. E nada, nada no mundo seria capaz de estragar o momento. Exceto eu acordar.
Sonhei com ela uma vez só. E ela era meio você, meio a outra, meio aquela, meio uma outra ainda, meio aqueloutra e meio aquela que você não gosta. E não tinha nome. Mas tinha mais metades do que seria cabível.
E eu podia morrer a cada beijo.

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