Another shot

O fervo pré-balada era ali, ao pé de Adamastor, o gigante camoniano, Bairro Alto, Lisboa, 2000. As moças, algo jovens demais para mim. O álcool, algo demais para qualquer um.
Seguíamos dali para Santos, quase sempre. Essas rotinas não escolhem cidade, ou país, ou continente. Creio mesmo, ainda que minha experiência seja parca nas menores, que independa do tamanho da cidade.
Seguíamo altos do Bairro Alto, portanto, para os botecos de Santos, fazer a ronda com jeito de footing, de ponta a ponta da rua cujo nome eu nunca soube. Parávamos em todos os botecos da tal rua e tomávamos um shot em cada parada. O shot era uma mistura de três destilados que achei por bem nunca perguntar quais eram.
Íamos assim, andando, bebendo e conversando. E a rua em questão ia diminuíndo de comprimento. Com o avançar da madrugada, ela ficava bem pequena.
Foi em Santos que conheci as duas portuguesas realmente bonitas. As duas únicas em seis meses.
Uma delas, mais sensual que bonita, olhos quase verdes, delgada e curvilínea, parecia uma namoradinha de duas semanas que me despertou a libido em definitivo quando tinha eu 13 anos. Uma pegação de machucar as costas no muro, de morder pescoços e de a mão ir parar onde ainda não havia ousado. Quando fomos apresentados, não percebi que o gordão chato ao lado dela era o namorado. Noivo. Não percebi e demorei a sacar, envolto numa conversa animada sobre ourivesaria e design de jóias. Foi o amigo (e colega de trabalho) português que, aproveitando a saída da moça à casa de banho, alertou-me ao fato, e descobri o motivo da antipatia do gordão portuga pelo gordinho brazuca. Sim eu estava gordinho.
Esperamos R___ voltar e nos despedimos, evitando assim um conflito internacional. Chamavam-nos os shots e a difícil volta à Rodrigo de Freitas, sozinho e guiando bêbado. O carro teve de dormir fora da garagem.

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