Danúbia

— Mas seu nome é mesmo Danúbia?
— É, por que, nao pode?
— Claro que pode, desculpe, que grosseria a minha, claro que pode.
— Eu sei que é um nome diferente, mas eu gosto.
— É, tem seu charme. E sua filha…?
— Ah, ela se chama Mariana, né, filha? Ela já tem dois anos, né Mamá? Meu pai chama ela de Mamá. Você é fotógrafo?
— Não, sou amador. Fotografo pra mim, só.
— Mas não vai colocar as fotos numa revista? N'algum jornal?
— Não, eu coloco num site meu, na internet. E guardo as fotos impressas em casa. Às vezes algum amigo vê as fotos, mas eu não exponho.
– Ah. Você tá aqui faz tempo?
– Cheguei segunda, vou embora sexta, na contramão do movimento do feriado. Gosto assim, vazio, sabe?
– Ah, eu também prefiro. Quando tem muita gente as coisas ficam mais cheias e mais caras e fica tudo mais difícil.
— Imagino. Eu não sou um turista típico, fujo do movimento. Sabe onde fica a trilha pra cachoeira?
— Fica ali pra frente. Tem um portal, você vai ver logo. Tem uns poços antes da cachoeira, dá pra ficar por ali também. Você é da máfia?
— Oi? Ah, as tatuagens? Não, é só para ficar mais bonito. Eu sou meio japonês, por isso as tatuagens têm motivos japoneses.
— Ficou bonito. Eu queria fazer uma tatuagem, mas meu pai não ia deixar. O pai da Mariana era tatuado. Ele morreu numa briga.
— Ahn, meus pesâmes. Que chato isso.
— Ah, ele tava pedindo. Vivia bebendo e se metendo em briga. Meu pai dizia que ia dar nisso.
— É uma pena, ainda assim, pela Mariana principalmente.
— Ah, nem é, ele nem ajudava mesmo. Eu vou contar uma história legal para ela quando ela crescer. Que o pai dela era do exército e foi lutar pelo Brasil e morreu na guerra. Na Guerra do Golfo. E que o pai dela era lindo e tinha um carro e ia levar a gente para morar em outro país.
— Danúbia, quantos anos você tem?
— Dezessete.

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