20070411

Descida

Descida
Pode parecer paradoxo (e alitero sem classe, sem estilo; alitero como meu nariz) essa morosidade toda em alguns aspectos, enquanto outros correm além da possibilidade de controle.
Basicamente, não esterça.
Um lado não faz a curva. Do outro, me sinto parado na fila da Imigrantes, Operação Descida, vendo o mar, de longe, e passando mal de tanto calor.
Ao menos o som não quebrou.
Sujeito desiste, senta-se ao lado da estrada, fuma seu cigarro e olha a fila que se estende por quilômetros e não se vê início ou fim.
Não se vê saída.
Assovia "Take five". Assovia "It had to be you". Assovia "Between the devil and the deep blue sea". E olha o mar, algo esperançoso.
As buzinas pedem-lhe movimento. A impaciência alheia lhe quer vivo. Sujeito põe-se, lento, a entrar no carro. E começa a dirigir, repetindo a si mesmo, em voz alta, no contratempo da música qualquer que brada dos falantes, cobrindo buzinas e admoestações, expulsando à força de ar comprimido saudades e dúvidas. Repete, eu dizia:
— I travel light.
— I travel low.
— I travel alone.

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