20070418

A dolorosa

A dolorosa
Não há budas aqui, você dizia. Queria que nos desculpássemos, isto é, distribuíssemos perdões assim, tal qual doces em festa de Cosme e Damião. Queria que as pazes fossem feitas, plurilateralmente; que declarássemos a anistia total, geral e irrestrita.
Houve um momento em que eu te olhava, cínico como me cabe o papel, à espera de um "revanchismo não!"
Mas você dizia não haver aqui budas e que tentávamos todos. Mas não fazíamos muito mais que isso, não é mesmo? Tentamos. E falhamos, inapelavelmente. Quando chegou a hora de prestar contas, mais cedo do que eu esperava — muito, muito mais cedo do que eu gostaria —, quando veio a conta, a gente devia um portento. E advinha quem fez o bom-moço, o cavalheiro, e pagou?
E ainda estou pagando.
Não há budas aqui, aquiesço e dou fé. E admito mesmo por isso que somos um pouco mais livres para errar, para discutir koans mesmo sabendo que é um exercício de futilidade, como jogar dois-ou-um em duas pessoas. Mas a gente se diverte e, lá no final "das contas", é só isso que interessa.

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