20070510

Bucaneiro

Bucaneiro
Volta Londres a existir, em meio a abelhas e sweaters. Volta Berlim a existir, em meio a maçãs e vírgulas embrulhadas para presente. Voltam à vida por viéses de saudades malformadas e descabidas.
Surge Recife assim, do nada, a fazer companhia às dúvidas, à quase leviandade de cabelos carmesim — Recife e Olinda —, por motivos ainda não revelados. E Fez, gloriosa Fez, posposta, nunca deixou de existir.
A curiosidade do pirata, mais que a sua necessidade de esconderijos para o butim, é o que move o mundo, literalmente o move, em suas fronteiras. Move, alarga, faz o mundo maior porque sempre será muito pouco mundo esse que doutos insistem em agrilhoar em mapas.
Se é verdade que, bucaneiro, preciso de portos novos, é apenas meia verdade. Preciso de mar, e de que meu mundo não tenha fim. Insaciedade infinita de moleque ribeirinho sem estudo e sem estirpe desconfiando que seu rio, ainda que de proporções amazônicas, seja igapó, e o sejam todos os oceanos que encontrar, desde que esteja vivo para os ver.
Sobrevivo de cidades no desjejum, idéias no almoço e pilhagens no jantar.
E uma garrafa de rum.

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