20070503

Cambio

cambio
Mudo mais uma vez por puro tédio de ser um só. Fosse um pingo mais arrogante, diria que mudo para poupar amigos e mocinhas da mesmice cansativa de eu ser eu.
Jogo fora todo o exoesqueleto quitinoso e fico — obviedades —, vulnerável por uns dias. Hoje. Ontem. Um final de semana mais. Recolhido ao não-parecer e com orelhas falsas de coelho.
Visto meias roxas.
Dou conselhos absurdos.
Evito espelhos.
Finjo ser brincadeira essa reinvenção da qual não posso prescindir — truque aprendido à ex-, dona de textos e olhos fascinantes. E peço mais uns minutinhos na cama.
Hoje não tem aula.
Volto a ser Il Matto perchè me pare bene così. E porque é mais fácil ser ignorado quando se tenta chamar atenção. A popularidade garante um certo anonimato e solidão. Quando você parece bem, muito bem, obrigado, ninguém se sente na obrigação de "levantar seu moral", "chamar para sair" ou "contar piada".
Por isso posso ser absurdo, hoje. Por isso posso ser sério. Posso ser esquizofrênico e inventar ascendentes e descendentes em letras outrossim extremamente legíveis e mornamente beges.
Pego ônibus errado. Durmo sem jantar. Fotografo pingados e pães-na-chapa. Ligo para amigo esquecidos. Ando no corredor, na madrugada.
Duvido.
Truco.
Mas não guardo rancor.

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