20070524

Camomila

Camomila
A camomila me leva sempre à cama. Camomila, hei de sempre lembrar, é minha cama. O cheiro da camomila vem me buscar léguas, traz-me vencido e me põe entrte lençóis, afunda-me em algodão sintético (que seja) e lãs e acaba comigo, maleita, febre terçã, tsé-tsé disfarçada de vaga-lume.
Camomila em doses mais fortes e mais freqüentes, em obsessão que cresce até o ponto de estancar, de repente, e cessar.
Para sempre.
Outros chás não me acalmam (passiflora, não me acalma), e calma eu tenho de ir buscar em mim, em recônditos estranhos dentro desse ser descabido, of all places. Outros chás, outras tarefas "chazianas", de acordar, de esquentar, de fazer esquecer.
Mas não se esquece assim, mesmo que outros sejam os cobertores e colchões e mesmo que haja futons e ainda que lençóis de enredar e travesseiros abundem.
Mesmo assim.
Não é preciso muito, entretanto, para resolver a advinha. É suficiente saber que são outros chás e que os há em profusão, sempre em algo melhores ou piores. Somente diversos.
Abraço a diferença, portanto, como à amante que me visita de mês em mês, cobrando zelosa o aluguel de afagos e gozos, e deixando o recibo de leveza de fofice, o carimbinho de excelente-parabéns no caderno de agrabilidade de tardes voluntariosas e noites de conchinha.
E quando novamente só: ofurô e chá. Eu e meu mundo em infusão.

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