20070512

Disfarce

Disfarce
Se eu te quisesse nua, agora, para fotografar, apenas, te entregarias?
E se eu te quisesse casta, despropositadamente casta, cheia de papéis de bala colados pelo corpo, imóvel, sorrindo, chamarias teus pais?
Quando eu te quis apenas a ti, sorrisos e bocas e um pouco de questionamento, esses que não te deixam nem mesmo quando gozas, te perguntaste por quê?
Sempre que te deixo, te viras e me olhas indo embora. Segues-me pelas ruas com esse coração bagunçado que não me deixa esfriar. E fazes de conta que és a Bruxa-má-do-oeste, mesmo sabendo que já não cola.
Já não tem mesmo muita graça. Ainda que eu sorria — mas o faço porque sou besta.
Moleque besta.
Montas a farsa, fazes a perdida, a cafetina, a prostituta que de mim só quer um regalo de horas perdidas nas noites um tanto ébrias, um tanto soltas. E quando paro para olhar teus olhos, te amedrontas e corres para o meio do salão e me chamas para dançar uma vez mais.
E brilhas.
É quando eu faço o chato e te beijo. E derretes e voltas a questionar.
Porque da vida só te interessam o jogo, a incerteza, minhas caras de enfado, meus toques e minha impertinência. Da vida só tiras a casca. Só o cheiro. E não te preocupas porque achas que terás sempre dentes. Mas eles caem um dia. Possivelmente antes de te decidires morder.
Amo. Ainda que nunca isso faça sentido ou seja crível.
Mas estarei morto quando acordares.

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