Jasmim

Porque nunca tomei chá de jasmim do jeito que deveria, colocando a flor numa xícara e deitando a água, em quase-fervura, por cima.
E fico imaginando se mudariam o sabor, a fragrância, a textura.
Eu fico sonhando com a textura da sua pele.
O perfume.
O sabor.
E lembro que "com música francesa é mais fácil", e sou condescendente comigo mesmo, porque hoje a noite me pede doçuras e calmas e repouso e que eu seja sempre, sempre mais doce. Doucement.
Arrancas de mim a temperatura e a cor que há anos não sabia ainda haver, guardadas para mais tépidos dias de me perder novamente.
E, desta vez, quero me perder sem medos.
Só acordo por falta de você ronronar ao meu lado, deixada para não-existir em volumes algodoados. Linda. Impossível. Ausente.
Você um dia pode me deixar, mas é preciso que ande ao meu lado para sempre, infinitamente presente em lugares exóticos e lugares-comuns. E só para que eu te faça um pouco mais única, um chá que não existe fora do meu mundo inventado, em que essa distância só existe de mentira. Estupefaciente.
Mundo tão pequeno que não cabemos mais nele.
Flor de jasmim do tamanho de sequóias, do tamanho da vontade que deixaste em mim, em meio a árvores — você lembra, quando eu perdia palavras embaixo de folhas secas, nervoso, apaixonado?
Porque não há mais lugar em que negar, não me cabe mais a dissimulação.
Jasmim.

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