Livro

Cangaro Giallo, posso desenhar enquanto você lê para mim?
Pode.
Pode desenhar. Pode desenhar em mim.
Pode arrulhar, pode coçar as costas no chão, pode se lamber.
Pode se deixar afundar em poços sem fundo de futons fofos e infinitos — inferno de algodão que a gente jura que não deixa por nada, até que um nada nos tire de lá.
Pode se perder em imensidões de cheiros novos e cansaços de madrugadas.
Pode.
Pode ser o que quiser durante minutos: pode deixar de ver o mundo; pode inventar o mundo, pode deixar que eu seja do tamanho do teu mundo. Pode esquecer que a gente existe, que alguma coisa existe, porque não vai fazer diferença alguma se a realidade é aquela mesma ou se a gente vai fazer uma a cada suspiro, a cada orgasmo, a cada vez que a gente morra.
Faça de mim um livro, então, um livro de cabeceira, uma bula, um auto, um documento averbado — um sticker, e saia colando por aí pelas esquinas dessa cidade suja e tão antiga quanto essa coisa que eu já não sei mais explicar porque eu não a tinha visto e ela me pegou na esquina (na curva), na possibilidade do teu lirismo.
Eu me perco, pequena, eu já me perdi.

1 Comments:
nada pode ser mais lindo que isso.
escreve. pelo amor de deus, escreve baby.
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