20070502

N.

N.
Não é fácil nem será nunca fácil falar de N. Mas é preciso falar de N. É necessário. E premente.
N. chegou por viéses de internet. Me "olhando" de longe, divertindo-se com meus rampantes de mau-humor. Deixou de ser uma amiga-sem-cheiro e entrou na minha vida com os dois pés na porta. Não que eu tenha oferecido resistência…
N. comprou-me pelo preço certo. Nunca foi condescendente, nunca mostrou comiseração. Mesmo nos meus momentos piores, sempre foi firme. N. não sabe, mas me fez crescer muito.
N. deu-me tanto sem nunca pedir nada em troca que eu vou ter de viver mais uns 40 anos, não por mim, mas para estar por aí sempre que ela precisar. Sempre que ela pedir. Sempre que ela quiser.
N. é meu sonho de consumo. Linda. Inteligentíssima. Mal-humorada. Com um gosto musical-literário-cinéfilo impecável. Capaz de ficar horas conversando sobre qualquer assunto. Ou horas em silêncio.
N. não é para meu bico, esse tanto eu já sei.
Mas N. pode pedir o que quiser. Eu faço. Sempre.
E desconfio que N. nunca vai me deixar. Eu sei que não vou deixá-la fugir. Nunca.

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