O.

O. talvez tenha sido o maior erro da minha vida. É, possivelmente o maior.
O. dava em cima de mim como poucas, e eu me fazia de desentendido, contrariando a torcida que gritava "Uuuuuuhhhh!" cada vez que eu desconversava. Mas O. era paciente e ninguém ia se interpor aos planos dela. Muito menos eu.
O. me pegou, planejadamente, e me derrubou com um okuri-ashi-barai. Ippon. Inapelável.
Eu quis fugir de O. mesmo quando já não era mais possível. E até o fiz uma vez, mas eu nunca fui páreo para a pragmatismo de O. Ela tinha a mim e às nossas vidas planilhadas, arrumadinhas em planilhas geradas no MS-Project.
E eu fui me deixando enredar, até que as planilhas, lá em algum ponto dos cálculos que ela fazia, me mostravam em vermelho. E O. me deixou. Assim. Simples assim.
E eu, que de O. fugira, agora não sabia viver sem ela. E fiquei num estadinho de dar dó. Dó mesmo, compaixão.
Um trapo.
O. foi para longe, para onde as mandavam suas planilhas de viver planejadamente e dando pouca margem a essas emoções bestas às quais as gentes dão tanta importância, mas não ela.
Espero que estejas bem, O. Porque eu estou melhor.

0 Comments:
Post a Comment
Links to this post:
Create a Link
<< Home