Pu li

Recende a coisa velha, leva a pensar em coisas que andou deixando escorrer para baixo do sofá, coisas que esquece e que perde por aí. Faz lembrar que eu não move o tal móvel (ironia, pois claro) por medo de que seja um embaixo-do-sofá-de-pandora.
Pu li, o chá, é que o faz pensar em como essa conexão bizarra de olfato e memória que parece, para todos os efeitos, erro de projeto.
E é quando o sujeito retoma o mote da farsa, de ser um engodo, de improvisar o tempo todo. Não chega a ser fingimento, não há, efetivamente, dolo. É mais…
Em algum momento, fulano sente que o mundo principiou no barranco e todos pararam de subir. No movimento desordenado para baixo, os poucos que conseguiram se agarrar a tocos e freixos retardam um pouco as próprias quedas.
E são tidos por heróis. Ou gênios. de qualquer maneira, excepcionais. Mas não o são. O elemento sabe, em si e para si, que está apenas atrasado, que perdeu o bonde ou que o não-cair é muito mais fruto de inércia ou preguiça que de indignação ou princípios.
Quiçá comportamento anti-social.
Ao tentar explicar a farsa que é, ou se tornou, mesmo que isso lhe tenha fugido ao controle, o indivíduo nunca sucede — como, no mais, era de se esperar. e ganha mais selos e galardões e agora se-lhe exigem mais e mais, tanto mais quanto insista em fugir da posição a si outorgada por seus pares de queda.
Não é dele a opção, eleito no foro maior da carência geral por algo diferente, que seja. O bobo da corte traveste-se de nobre para diversão, entenda, e incomoda-se com as mesuras.
No fundo, era uma piada. Que lhe escapou do controle.
No final, foi incompetente até para esse tanto.
Não há glória, enfim, não há riso.
Há cansaço; e a obrigação de improvisar, um dia mais.

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