Amantes

Volto ao sax, à Lillah, a timbres conhecidos após um tempo dedicado ao clarinete.
Lillah reage bem aos meus toques, em segundos se entrega aos meus dedos, e já se manifesta. Fica macia, suave, quase mole; mole, quase se derrete esperando minha boca. Lillah luxiriosa. Lillah lânguida. Receptiva, famélica, lassa.
Já sente meus lábios, trememos ambos, quanto tempo faz? Suavemente beijo e já se arrisca a língua e Lillah suona. Suona così. E é bonito e é primevo e é suave e brutal. E são sons que eu quase esquecera e agora novos e outros, os ensaiados, os descuidados.
Já nos entendemos, e a provocação passa do limite do previsível e é quando sou dentes e nenhum dos dois cabe mais na sala e os dois são força visceral, quase descontrolada mas rítmica, apenas para se tornar melódica outra vez e se desintegrar em luta e abuso de fôlego arrebatado e lágrimas inesperadas.
Exausto, observo as marcas no chão. Olho Lillah a certa distância para ver o quanto a machuquei e sorrio, carinhoso, passando-lhe a mão pelas curvas que me são conhecidas e que tanta falta me faziam. Lillah voltou ou eu voltei a Lillah e comungamos e nos soubemos novamente, intensamente, como nunca deveria deixar de ser.
Claire, destronada após não sabemos quanto tempo de primazia, observa tudo do canto da sala, respeitando a história que temos eu e Lillah, muito antes dela, Claire.
e porque sabe que hoje eu ainda serei dela.

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