I'm just the help

Falou por meia hora para que eu lhe dissesse o que queria ouvir. Mesmo sabendo que não sou capaz de tanto. Mesmo ciente de que digo sempre aquilo que me parece conclusão irrefutável — obviamente seguindo minha lógica bizarra. Não sei quando elas efetivamente querem ouvir essas digressões amarelas, mas elas voltam. E contam. E ouvem.
Narizinho ouviu, sem saber se me chamava Visconde ou Marquês. E perdeu o semblante professoral. E me olhava com o que eu achava ser incredulidade e gratidão. Ou como se eu fora um saci.
Narizinho também é ótima ouvinte e decidiu que eu deveria falar. Foi o que fiz. Narizinho conhecia parte das histórias mas, mais que isso, Narizinho conhecia a minha história. Esteve lá, por vezes. Atalhou-me, não me deixou ficar chato, concluiu, definiu, pôs-se a discordar. Ouviu.
Narizinho disse-me que me tornei o rapaz da manutenção. E que isso, para mim, especificamente, não é bom.

1 Comments:
" e da força de não pensar naquilo que não tenho,
e da força de me agarrar assim
à uma viagem possível"
P.
Post a Comment
Links to this post:
Create a Link
<< Home