20070623

I'm nothing 'til you look at me

mirror
Palavras saem uma a uma   espremidas como se fossem aquelas nojeiras que saem de cravos. E tão bonitas e malcheirosas.
Haveria um tempo de escrever e um tempo de calar   mas há teimosia. Há bravata. Há maldade. E com maldade se escreve. Com bravata se forçam as palavras à luz   a olhos alheios. Alitera-se   neologisa-se   repete-se por teimosia   somente.
Nos teus olhos vejo rugas. E no sol   câncer de pele. É só no espelho que vejo a mim   nu   e alguma esperança. Sempre teremos opção. Ainda que messy. Não sou eu   afinal   que vou limpar.
Palavras   quistos   esplenotomia   histerioctomia. Extrações   sujeira   dor   alívio imediato   luto. Ou seu dinheiro de volta. Tratamento de canal   e o cheiro — ah o cheiro daquelas palavras mais entranhadas em raízes podres   preguiça de palavras   estupor.
E quando a pele já lanhada   ensangüentada   usa o instinto para manter afastados dedos e pinças e lancetes   eu canto para vomitar palavras que você não ouviu   apesar de ter escutado.
Uma-pa-lavra-queeu-dis-se.
E todas as que não disse.
Devo-me palavras estranhas e devo calar-me ao menor indício de coerência.
Esquecer   talvez.
Esquecer por necessidade. Por ordem de madame. Madame está sempre certa. Mesmo quando madame está errada   está certa; e não sabe o que diz   está certa. Sempre. Dei à madame minhas vírgulas e ela delas faça uso melhor. E as aponha aqui   onde lhe aprouver   se lhe calhar.
I'm like a mirror.
I am the mirror.

1 Comments:

Si said...

Fui lá ontem ver uma exposição. Curioso ver o prédio em branco e preto. Meus pais moram há poucas quadras e eu nunca havia entrado.

6/24/2007 09:16:00 PM  

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