I'm nothing 'til you look at me

Palavras saem uma a uma espremidas como se fossem aquelas nojeiras que saem de cravos. E tão bonitas e malcheirosas.
Haveria um tempo de escrever e um tempo de calar mas há teimosia. Há bravata. Há maldade. E com maldade se escreve. Com bravata se forçam as palavras à luz a olhos alheios. Alitera-se neologisa-se repete-se por teimosia somente.
Nos teus olhos vejo rugas. E no sol câncer de pele. É só no espelho que vejo a mim nu e alguma esperança. Sempre teremos opção. Ainda que messy. Não sou eu afinal que vou limpar.
Palavras quistos esplenotomia histerioctomia. Extrações sujeira dor alívio imediato luto. Ou seu dinheiro de volta. Tratamento de canal e o cheiro — ah o cheiro daquelas palavras mais entranhadas em raízes podres preguiça de palavras estupor.
E quando a pele já lanhada ensangüentada usa o instinto para manter afastados dedos e pinças e lancetes eu canto para vomitar palavras que você não ouviu apesar de ter escutado.
Uma-pa-lavra-queeu-dis-se.
E todas as que não disse.
Devo-me palavras estranhas e devo calar-me ao menor indício de coerência.
Esquecer talvez.
Esquecer por necessidade. Por ordem de madame. Madame está sempre certa. Mesmo quando madame está errada está certa; e não sabe o que diz está certa. Sempre. Dei à madame minhas vírgulas e ela delas faça uso melhor. E as aponha aqui onde lhe aprouver se lhe calhar.
I'm like a mirror.
I am the mirror.

1 Comments:
Fui lá ontem ver uma exposição. Curioso ver o prédio em branco e preto. Meus pais moram há poucas quadras e eu nunca havia entrado.
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