20070708

La rossa

La rossa
No meu sonho você estava debruçada no parapeito da varandinha do nosso quarto de hotel em Bologna. O sol da manhã, não tão cedo assim, projetando sombras impossíveis, quase azuis. Você olhava o rio, olhava a cidade vermelha. La rossa. La grassa. La dotta.
Bologna não tem rio.
Eu te chamava e dizia que você seria Bologna, exceto pela parte do grassa.
Era o último dia na cidade, e havíamos transado a noite toda. O último dia na Itália. Voltaríamos para Londres, para casa. Mas a visão do teu corpo perfeito e, mais que isso, da sua carinha de contentamento e de paz, de pertencença, faziam com que eu quisesse ficar. Para sempre.
— A gente não precisa ir. A gente arranja emprego por aqui mesmo.
— Você não existe.
E você correu até mim e me beijou com um amor guardado por anos. Beijou-me como se o fizesse pela primeira vez. E eu nunca soube de amor tão grande.
Acordei antes do que gostaria, triste por esses sonhos mentirosos.

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