20070730

Par ou ímpar

par ou ímpar
Tuas mentiras se acumulam como pó em móveis antigos e sem função. Tuas mentiras se aglomeram no teu rosto como rugas. Minhas mentiras, essas não se sabem ainda, e são do tipo "ontem vi um rinoceronte rosa atravessando a Paulista." Minhas mentiras, ninguém lhes dá crédito. Minhas mentiras caem quando corto as unhas, sequer chegam a entupir canos.
Ainda foges de medo quando te chamo para brincar. Mas vais à minha casa me olhar dormir. Ainda queres que eu seja teu amigo, mas és incapaz de me ouvir por mais de cinco advérbios. E sequer uma coordenada assindética até o final.
Teus medos atravancam a passagem e tua mãe já te disse "mais de mil vezes" para guardar essas porcarias no teu quarto. Afinal, o que vão dizer as visitas? Meus medos brincam comigo de polícia e ladrão. E já percebeste que sou sempre o ladrão. E que, aqui na quebrada, ladrão tem moral.
Ontem me pediste amor emprestado para dar ao teu namorado. Eu emprestei, porque essas coisas não se nega. Hoje me acusas de me meter na tua vida. Eu me pergunto por que ainda insisto. Por que não ignoro esse teu pedido para que te ensine a rodar pião? E lá vou eu, fieiras sobressalentes, mostrar que a gente pode se divertir, apesar de tudo.
Tuas dúvidas são requentadas no molho de tomate e viram aquela gosma que teus filhos não querem comer e finges não saber que essas coisas, para além de ficarem feias, cheiram mal e têm sabor de mágoa velha. Teus filhos comem pipocas Miau antes de se submeterem a esse tipo de tortura culinária. Minha dúvidas são tão grandes que não se-lhes vêem o fim. É sempre preciso debastá-las, mas elas crescem tanto que não se sabe por onde começar. Quando elas ficam grandes demais, entram em órbita e já não atrapalham porque sempre vem um dragão gordo as comer.
Disse que você deveria parar de desprezar as bobagens que as pessoas deixam na tua caixa de correio mas estavas muito ocupada polindo a maçaneta da porta da frente e ficando puta quando alguém entrava na tua casa e "sujava tudo de novo". Só desisti quando me toquei que tua intenção não era polir a maçaneta, mas ficar puta.
Teus sonhos vieram pedir asilo político. Eu tive de dar.

1 Comments:

Ariana Assumpção Silva said...

Oi Kazi. Realmente adorei a coincidência. Dela, dizem que é inexistente. Bem, eu tb acredito nisso, pois me parece q a conspiração pra encontros assim é bem engendrada!
Adorei seu blog, assim como as fotos já antes me encantaram. Tenho um blog (antigo, q pretendo reeditar) semelhante ao seu, com fotos minhas e textos idem. Se der, passeie por lá: http://www.elequitra.blogger.com.br/index.html

8/04/2007 05:21:00 PM  

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