20070722

Sem volta

Sem volta
Recriminado e bem me valeu a bronca. Chateou-me por treze nanossegundos, o tempo de levantar a sobrancelha. A esquerda. Treze nanossegundos é tempo suficiente para admitir que eu mereço, obviamente, essa repreensão. Mas, aí, você teria de me proibir, por coerência, não apenas as mordidas em público (relamente perigosas), mas os abraços demorados, os toques, os papos perniciosos disfarçados de banalidades, as trocas de hálito, os ferormônios, os sorrisos lascivíssimos e os olhares, estes sim, delatores, descabidos, abusados, maliciosos, doces e mais significativos que o bando de letras que despejamos um no outro à guisa de escudo, de batina ou de venda.
E, já que aqui estamos, você deveria, mais que coerente, se mostrar justa, e aplicar a si mesma o mesmíssimo sermão, tirante a parte das mordidas, embora você seja a vontade maior e isso a faça mais controlada e séria e lhe dê ares e por isso me dê bronca.
Não tarda a prova e a constatação de que a bronca teve efeito, mas não fez sentido quando abandonamos o comedimento, ou antes ele morreu à míngua, sem nunca ter tido chance diante de tatuagens e cabelos vermelhos; foi realmente covardia.
Mais uma ponte, ou navio (ou chavão) queimados. Vai ser difícil fugir daqui.

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