Sorriso

Impressionei-me com teu sorriso. Você já sabe parar o tempo, só não tem disso consciência. Você para o tempo quando sorri desse jeito largo: sorriso livre de culpas, pleno de vermelhos; sorriso que não cabe em lugar algum e deixa as coisas do exato jeito que elas sempre deveriam ser.
Sorriso-você-me-faz-bem.
Mundo perfeito pelos segundos de duração dessa imitação de sonho que é melhor que qualquer coisa que eu tenha conjurado. Minha noite você faz, então, perfeita por segundos que são todos os segundos de todas as dimensões possíveis e todas as possibilidades ali — e já aqui — e nenhum preço, nenhuma necessidade de dizer ou de prometer ou de perguntar ou explicar.
Sorriso-morninho-no-coração.
E me pego, horas depois, pensando o sorriso e a dona do sorriso e te sabendo feliz, enfim, ainda que por instantes (que são incontáveis) no meio de tantas dúvidas e ponderações e cobranças, convenções, consultas ao manual, sabotagens, engarrafamentos e medinhos. Instantes infinitesimalmente infinitos. Tempo parado. Eternidade.
Sorriso-o-resto-não-importa-mais.
E não têm mais importância as coisas desimportantes, mandadas de volta aos arquivos de mediocridades disfarçadas de amor. E ainda há quem lhes aponha etiquetas "amor", num surto de überTOC. Mas você já me sabe e sabe que adoro bagunçar as etiquetas. E adoro você.
Sorriso-você-não-existe.
Então, já agora que sabemos como "tem" de ser, que soubemos o abraço com sorriso com beijo com pele com cheiro de maçã com gosto de gengibre, agora que soubemos o exato momento em que deveria parar o tempo, deixa o tempo dizer o que você não sabe definir. Porque, agora que você já sabe parar o tempo, agora não há mais pressa.
Sorriso-fico-bem. Mesmo.

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