Acidentes geográficos

Amassou minhas angústias sem cerimônia e as jogou no rio, pouco se lixando com a possível morte de dois ou três lambaris. Não era mesmo hora de pudores ambientalistas.
Estapeou-me. Mordeu. Me tirou de bobo e de cara-de-mamão. Me fez rir e errar todos os pronomes por horas, por vezes de propósito.
Deixou-me no estadinho já conhecido. Mas era diferente — e já sou diferente.
Trouxe medos novos e dúvidas cruéis e bobices divertentes de esquecer o dia. Os dias. E vai, aos poucos, metendo band-aids para tudo que é lado e me fazendo gastar as últimas metáforas toscas — aquelas guardadas para o natal —, que é para eu voltar a escrever coisa que preste.
Fez profissão em me provocar e me xingar e me dizer, com todas as letras, o que acha de mim. E, crédito lhe seja dado, é diligente quando o assunto é "letras".
sabe, agora, que não tem mais como viver sem mim. Tampouco eu sem ela. Ainda que um Atlântico teime em existir no meio. Mesmo que Urais.

0 Comments:
Post a Comment
Links to this post:
Create a Link
<< Home