20070804

Câmbio

Câmbio
Queima o bico no café quente, caldo comme l'inferno. "Tra l'inferno dei vivi e l'inferno dei morti." Era só pressa de viver a próxima, a outra, mais uma, nunca de novo. E tinha razão, certa forma, que são infinitas as possibilidades e não há porque repetir experiências e não há porque se contentar com um só, com uma só, um só mundo, uma personalidade, uma vida. A não ser que se queira ficar, ou repetir.
Mas repetia, afinal, sem dar-se conta. Padrões, rotina. O desistir, o deixar para trás tudo que não fosse novidade, qualquer coisa que já tivesse experimentado. Enfado, tédio, aborrecimento, cansaço, nojinho, enquanto colecionava selos e rótulos: volúvel, medrosa, novelty-junkie, inconstante, inconseqüente, chata. Padrão, enfim, previsibilidade.
Caiu a ficha da constância/inconstância, das possiblidades e das próprias impossibilidades: liberdade cerceada pela busca dessa mesma liberdade, travestida de mudança. E, quando caiu a ficha da escolha que não tinha, parou. E já não mais se procupa se fica ou muda. Só importa que, verdadeiramente, escolha — seu novo padrão.

1 Comments:

Anonymous said...

Também queimei a língua com café hoje.

8/13/2007 11:55:00 PM  

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