Desleixo

Emprestava vida, mas cobrava juros, certo de que essa história de usura de good times lhe salvava o dia.
Vendia caro sorrisos e prestava falsas declarações à praça, elogios, recomendações, vendia barato sua reputação.
Flanava.
Não se deixava pegar em flagrante, prendia avisos em postes pedindo recompensas para achar cachorrinhos e dignidades.
Foi sempre doutor de sua própria destruição enquanto tocava flauta como se não houvesse ontem. Nunca olhou para trás. nunca quis saber.
A não ser...
Mas era tarde demais.

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