Lontano

Perdido entre o azul e o quando, as horas arrastam consigo o cheiro que imagino seu. Ou quero seu. Divirto-me com pedaços inventados de vida, sempre inventados os subtextos de dar cor e roubar sentido ao mundano, à lua, à cisma. Retrato de mente deturpadora de empiricidades forjadas em premência de neologismos e brasas.
Vintemilequatrocentas formas de dizer que ainda vivo.
Ando por entre histórias melhores que as minhas, sempre distantes, um sorriso de distância. Refugo histórias elucidativas a cada passo porque me furtam tempo essas desimportâncias diárias pagas e classificadas. Assusto carmas. Confundo apocalipses. Chafurdo na arrogância de viver correndo, tentando acertar.
Não, carina mia, eu sei que é um exercício fútil esse tentar fazer certo. O correto muda sempre que muda a cor do farol, sempre que lhe chamam sinaleira, sinal ou semáforo. Mas bem já o sabes: tentar acertar me trouxe até este lugar e eu nunca soube realmente o que fazer: vim tirando a vida de ouvido.
Por isso brigo comigo. Por isso quero você.
Não me peça, de novo, para explicar. Você tem preguiça, eu não tenho resposta, e a gente finge que não tem medo e joga o juízo na trifeta, colocando o azarão na ponta e o cavalo de nome mais estapafúrdio em segundo. Porque se não for assim, não vale a pena; porque a gente não sabe mesmo o que está fazendo, mas adora inventar critérios.
Estranheza pode ser um critério, se a gente quiser.
E é assim, de estranheza em estranheza, em improbabilidades, que teimamos vida e inventamos beijos e fazemos amor e somos dubiedade com a desculpa de deixar a obra aberta à interpretação da audiência.
Eu morro de saudades. Mais do que ainda não tivemos.

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