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Deixei você dormindo, nua, em mar de conforto-algodão e cheiros; montei Rocinante e fui gastar o tempo que não é seu (e não é seu só por erro de projeto do mundo — eu deveria ocupar-me em te fazer feliz tempo integral).
Minto a mim mesmo achando que saio para salvar esse mesmo mundo quando, no máximo, luto contra monstros de tédio e pasmaceira, de chatice institucionalizada, e tento dar ao já citado mundo uma amostra do bem que você me faz. E basta essa partícula pequeníssima para que se encham de bons-ares e estupefaciência, mal sabendo, a maltaturba, que tenho o todo, a fonte. Ainda que por tempo diminuto. Ainda que eu tenha de te abandonar de manhã (e seja a pior luta do dia, esse deixar, esse ir).
Pois vou a achar coisas no caminho — pedrinhas coloridas, palavras de formato estranho, saudades hipertrofiadas, para te levar à noite, à hora de ver Pequena, a coisa adorabilíssima que chega com oitenta e dois dedos e me deixa com um universo de cortar-e-colar, brilhinhos-de-contato e muita fome.
Porque nos damos um "cado" menos do que queríamos e nos damos tudo aquilo que não tem função vital, exceto que no-lo damos, e até mesmo o essencial, nessa confiança absoluta de amantes mais inocentes quanto maior a lascívia.
Sou teu, Pequena, e apenas teu. Enquanto quiseres, teu. E tanto, e tão completamente, que já nem lembro de ser diferente.
Para sempre? Com você, parece possível.

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