20070815

Próxima estação…

proxima
Ela vinha assim, dançando como se não pesasse um decigrama. E ela me daria sorrisos apenas por usar "decigrama" em um texto, assim, despretensioso de fim de noite, começo de madrugada de saudades concentradas. E perceba que não faz horaemeia que nos vimos.

Ela vinha com seu jeito de cabelos vermelhos me provocar em meio a dissabores que colecionava porque eles tinham lá suas funções de gerar textos mais pretensiosos que os que agora vão se empilhando enquanto o tempo que tenho é dela. Enquanto o tempo que ela leva para fazer um bico me alarga o universo que já declarei de borracha e, sabem todos os que me conhecem, sem memória estrutural.

Não, ela não vinha debalde, ela se apresentava me provocando a cada ameaça de frase calada na vontade de ser onde. Vontade de ser onde é uma coisa que a gente não aprende na escola, ou na faculdade de História, embora pudesse ser assim. Ela aprendeu a me provocar talvez na escola, mas desenvolveu tal técnica que ninguém diz. É mesmo coisa de quem nasceu sabendo.

Ela vem, a cada dia, dizendo gostar mais, querer mais, estar mais apaixonada, como se a gente estivesse fazendo campeonato de gostar. Taí: campeonato de gostar. Deveria fazer parte de olimpíadas e panamericanos e devia ser ensinado em lugar de Educação Moral e Cívica, que nem deve existir mais, e continua tão útil. Vem e faz carinha de pidoncha e levanta o canto da boca só para me ver desabar em carinhos e juras. E jura que é sem querer, adorável que é.

Ela chegou me ensinando paciência e descontrole e dor e excesso e vontade de ser aquilo que eu já esquecia de ser. Como era? Como mesmo? Talvez assim, apaixonadinho, bobo, felizinho. Essas coisas que estão sempre ali, junto do CD da Dakota Staton que a gente coloca de vez em quando para lembrar essas coisas de sentir. Eu quero mais também, porque no pacote veio mais vontade de Pequena, mais tesão de abalar essa moça quando ela não espera e do jeito que ela não espera. Porque nos definimos nas negações para nos completarmos depois, e cairmos, exaustos, derretidos, mais próximos, mais incrédulos.

Porque é assim que ela me faz feliz. E eu não quero mais saber. Basta-me Pequena. E que venha o mundo.

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