20070823

T.

T.
Era muito mais do que eu poderia querer, T. Era mesmo um portento de mulher que eu sabia que não seria nada mais que uma fantasia de alguns dias, poucas horas, talvez.
Mas não foi.
Foi T., cabelos encaracolados desafiando qualquer fleugma que eu montasse. Qualquer desdém que eu ameaçasse. Qualquer resistência.
Não me levava a sério, T., e eu a amava por isso. Um jogo tão antigo e tão despropositado que nenhum de nós dois acreditava muito que pudesse ser mais que um jogo.
Mas foi.
E já não nos importávamos mais, eu e T., se alguma coisa sairia daquelas não-provocações e daquele tango frenético e descompassado como, destarte, eram nossas vidas quando nos soubemos, T. e eu.
Creio que ainda hoje não haja explicação para T. E não procuramos explicação. Apenas sabíamos que algo não andava conforme deveria. E foi apenas o que houve: desconforto, diversão, desespero.
Um chope, uma seleta, um dia, T. Não mais que isso.
Não muito mais.

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