20070907

Bolhas de sabão

bolhas
Deve ser leve. Leve de não levar consigo coisa chata, coisa choro, coisa que arraste, que não tenha aerodinâmica. Deve ser leve de poder ir aonde bem a levarem os ventos e ir até onde puder ir, sem se preocupar com a volta, leve. Leve de não se saber leve. Leve de não saber de mais nada.

Deve ser grande, enorme, impossivelmente gigantesca, por menor que seja. Deve ser grande de caber todas as vontades, todo o desejo, toda a invencionice e todas as coisas maiores que a gente. Deve ser do tamanho certo, tamanho de dizer ahs e ohs e de espantar as gentes que passam e sorriem com coisa tão despropositada. Pequenamédiagrande. Descomunal.

Deve ser breve, ter a duração de uma vida, da própria vida, que é a duração certa de qualquer vida: a lifetime. Deve durar enquanto durarem as cores, enquanto for divertido e fizer movimentos esquisitos e desconcertantes e deve durar o suficiente para que a gente se alegre tanto e possa pegar carona na próxima. Juntos, de preferência.

Deve ser colorida, sutilmente colorida, daquele jeito de olhar de perto e ver todas as cores brincando e brincar de inventar cores que aparecem e se misturam e desaparecem e nos embasbacam. Cores quânticas e infinitas. Deve ser transparente, sempre, deixar ver através e deixar ver e não ficar escondendo um do outro. Mas deve mostrar o outro com uma pitada de humor e uma pitada de mistério e cores. Muitas cores.

Deve divertir. Deve flutuar. Deve subir e descer e entortar e ser perfeita por um instante. E se contorcer toda no instante seguinte e voltar a subir e fazer sorrir. Deve dar vontade de ir junto. Deve dar vontade de voar. Deve nos fazer voar. Deve dar vontade de morder e de beijar e deve fazer cócegas variadas.

Podia ser você.


Pop!

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