20070901

Despedida

Despedida
Aqui no quinto andar do prédio de tijolinhos, sacadinha e fotos no varal, a coisa anda bem. A coisa anda daquele jeito safado que é o único que me cabe nesses dias de esquecer, dias de ser outro sempre, sempre que acordo e vejo que é outro o dia. Olha que até tenho feito progressos. Thanks for asking.

Você até me escreveu uma ou duas vezes. Mas agora começo a achar que escreveu quando estava bêbada e nem lembra o que fez… E sempre fará sentido, você não é do tipo que faz alguma coisa que te incomoda por nada.

Dias de penico, dias de colo, dias de papo. Eu já quis, uma vez, todos os seus dias. Depois quis distância de todos eles com a mesma força. Hoje não quero nada. Escrever esse texto já é bastante estranho. Mas sempre gostei de estranhezas, lembra? Peça penico, moça. Peça colo. No máximo, não vou poder te dar. No mínimo a gente adia o café. Mas duas ou três palavras você sempre vai ter.

Nem todo mundo funciona sob pressão. Aliás, pouca gente consegue. I thrive in chaos. Mas não suporto me enganar e, por isso, saí daquela vida. O que você precisa sempre é sacar onde pega, onde dá para se mexer. Lembre-se sempre que Ando onde há espaço. Meu tempo é quando.

Essa coisa de não deixar marcas ou feridas é ilusão. Uma mulher como você, um cara como eu… A gente sempre deixa. Marcas. E feridas. E se fere. E se acaba. E levanta. E vai se meter em outra, porque gente igual a nós é que faz essa porcaria de mundo valer a pena. O resto ta aí de coadjuvante. De platéia. Ou de vendedor de ingresso. Vendedor de gabardine, sabe?

Se você acha que está faltando tudo isso, é porque não falta o essencial: o inconformismo. Eu vi tanto em você que me apaixonei, lembra? Então dê-me um pouquinho de crédito e acredite que você tem tudo isso que vi. E pode ter mais. E com certeza tem mais — tudo aquilo.

E não sou uma fortaleza, um soldado, larga a mão de confete que não pedi coisa alguma. Sou um doido que não se furta nada: o salto, a tentativa, o erro. Que só é um pouquinho mais velho e teve mais tempo de errar, levantar, e tentar de novo. E erro de novo. Aprendi a dar abrigo. Ou colo. Ou um pedala. Porque você sabe que, se você estiver errada, eu vou dizer. E por isso sou confiável.

Não há budas aqui, lembra?

Continue se reinventando. Continue arriscando. Continue crescendo. Continue sendo essa coisa doida cheia de manias e personalidade e dúvidas e questionamentos e trejeitos e curvinhas e simpatia e perguntas incômodas e furinhos nas costas e beijo delicioso que eu conheci. Não pare, moça, que você pode ir aonde quiser.

Tá lindo o céu lá fora, agora que resolveu fazer frio e choveu um pouquinho e você tem todo esse escuro para acertar. Para escolher onde ir, agora.

Basta não parar.

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